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sábado, 10 de maio de 2014


A presença da internet no cotidiano de grande parte das pessoas está alimentando o surgimento de uma série de novos negócios. O pacote inclui desde modelos inovadores até a transição de setores tradicionais para o ambiente digital. Diante desse menu cada vez mais variado de opções, um mercado começa a ganhar destaque: os sites de delivery de comida.




O interesse crescente dos consumidores por esses serviços tem sido impulsionado por questões inerentes à internet, como a conveniência e a comodidade. Nos últimos dois anos, no entanto, alguns movimentos reforçaram que o apetite pelo setor não está restrito aos usuários. O período foi marcado por investimentos de fundos estrangeiros e locais nesses sites, além de aquisições realizadas por companhias do próprio setor.
"Quando começamos, há dois anos e meio, o setor era bem incipiente. Com o tempo, os consumidores passaram a perceber que era mais interessante fazer seu pedido com menor taxa de erro, maior possibilidade de escolha e mais comodidade. Essa mudança atraiu investimentos e novos competidores", diz Felipe Fioravante, executivo-chefe do iFood, site que recebeu aportes de R$ 3,1 milhões, em 2011, do fundo de venture capital brasileiro Warehouse, e de R$ 5,5 milhões, no início deste ano, da Movile, companhia brasileira de serviços para dispositivos móveis.

Com uma base atual de 1.350 restaurantes e 500 mil usuários, o iFood gera um volume de 75 mil pedidos e movimenta cerca de R$ 6 milhões em pedidos por mês. Além de expandir sua oferta e também a presença em outras praças - hoje o serviço está disponível em 10 Estados - a prioridade em curto prazo é reforçar a estratégia para dispositivos móveis. "Estamos trabalhando para aprimorar a experiência do usuário e para que ele possa fazer o pedido em poucos cliques". Hoje, pouco menos de 50% dos pedidos computados pelo iFood já são feitos via smartphones. No início do ano, esse índice era de 18%.
Como todo novo segmento, não há dados específicos sobre o segmento. No entanto, outros indicadores ajudam a projetar o seu potencial. "Nossas estimativas são de um mercado de R$ 145 bilhões em 2012 para o total de alimentação fora do lar", diz Luis Goes, sócio-sênior da GS&MD.

"O Brasil tem cerca de 1 milhão de estabelecimentos, dos quais, pelo menos 100 mil trabalham com delivery. Hoje, atingimos só 2% dessa base. Há um potencial enorme a ser explorado", diz Emerson Calegaretti, fundador e coexecutivo-chefe do HelloFood.
Criado há cerca de um ano e meio e controlado pelo fundo alemão Rocket Internet, o HelloFood chegou ao Brasil em fevereiro. O site tem investido em aquisições para acelerar sua expansão no país. Nos últimos dois meses, o portal comprou os sites Janamesa, Megamenu e Peixe Urbano Delivery. "A prioridade é ampliar a base de restaurantes e a operação em outras capitais. Os próximos focos são Brasília, Curitiba e Nordeste", diz Marcelo Ferreira, fundador e coexecutivo-chefe do portal.
Os planos incluem ainda os investimentos em marketing e tecnologia. Nessa última frente, além da mobilidade, a HelloFood está apostando em sistemas que refinam a transação de acordo com o histórico de cada consumidor.
Um dos pioneiros do setor - o site está há dez anos no mercado e teve seu controle adquirido em 2011 pelo grupo dinamarquês Just-Eat - o RestauranteWeb tem hoje mais de 400 mil usuários e mais de 2 mil restaurantes. Nos últimos doze meses, o site movimentou R$ 60 milhões em pedidos. Juntamente com a expansão da oferta e a maior atenção à mobilidade, o portal investe para aprimorar o nível do serviço, com práticas como o monitoramento de cada pedido. Outro foco são os investimentos em marketing, com um orçamento de R$ 6 milhões em 2013.
"Estamos buscando uma diversidade cada vez maior na nossa plataforma, que hoje já inclui desde pratos feitos até comida indiana", diz Carlos Moysés, presidente da empresa. Ao mesmo tempo, o site está priorizando o uso de softwares que analisam a frequência de pedidos de cada usuário e ajudam a desenvolver ofertas personalizadas para esse cliente.

Modelo atrai o interesse das cadeias de restaurantes e amplia oportunidades no segmento
A evolução do mercado de delivery on-line de comida tem atraído também o interesse das próprias redes de restaurantes. O Pizza Hut foi uma das marcas pioneiras a investir nesse formato. Outro exemplo é o China in Box, que hoje permite que o cliente faça todo o pedido - da escolha até o pagamento - por meio de seu site. A rede conta também com um aplicativo, ainda restrito à consulta do cardápio e à busca dos restaurantes mais próximos.
A maior atenção das redes é vista como uma boa oportunidade para os sites que agregam esse tipo de oferta. "Quando passam a investir nesse formato, elas começam a entender o quão difícil é manter uma operação desse porte, que exige pesados investimentos em tecnologia e marketing, e escala para viabilizar os custos. Não é o negócio deles", afirma Carlos Moyses, presidente do RestauranteWeb. O site tem trabalha com cadeias como Subway. "Tenho operações que gero mais de 25% da receita total do estabelecimento", acrescenta.
"As redes estão percebendo essa movimentação e passaram a nos procurar para entender esse mercado", diz Felipe Fioravante, executivo-chefe do iFood, que trabalha com marcas como Bob's e Pizza Hut. "Hoje, temos tecnologia para atender a essas empresas com um espaço personalizado no nosso site, de acordo com as preferências dos seus usuários e oferecendo relatórios detalhados de vendas", afirma.
O modelo de negócios que estabelece o pagamento de uma comissão aos sites apenas no caso de um pedido gerado é mais um atrativo. Ao mesmo tempo em que a rede consegue explorar e obter receitas em um novo canal, não há custos fixos nesse processo. "Outro benefício que trazemos nesse formato é a possibilidade de as redes mensurarem os resultados nesse ambiente", diz Marcelo Ferreira, fundador e coexecutivo-chefe do HelloFood.

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